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Entraves logísticos podem afetar o futuro da bioeconomia na Amazônia


A bioeconomia amazônica envolve cadeias produtivas baseadas no uso sustentável de recursos naturais renováveis do bioma


A região enfrenta desafios logísticos significativos, agravados pela sua dimensão continental e pela infraestrutura precária


Políticas públicas, investimentos em logística e valorização dos saberes tradicionais são considerados pilares essenciais para o desenvolvimento sustentável da região


 A bioeconomia amazônica engloba uma série de sistemas produtivos que utilizam os recursos naturais da floresta de forma sustentável, gerando produtos, tecnologias e serviços que pode beneficiar tanto a economia quanto as comunidades locais. Essas cadeias têm o potencial de unir a conservação da floresta à geração de renda e ao fortalecimento do protagonismo de populações ribeirinhas, indígenas, quilombolas e agricultores familiares. No entanto, um obstáculo permanece crítico neste cenário: a falta de uma boa infraestrutura logística na região.


“A Amazônia representa cerca de 50% do território nacional e abriga quase 30 milhões de brasileiros. É uma das regiões mais estratégicas e, ao mesmo tempo, mais incompreendidas do país”, explica Augusto Rocha, Coordenador da Comissão CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas) de Logística e Competitividade. Ele alerta que o desconhecimento sobre as realidades socioeconômicas e logísticas da região compromete a formulação de soluções eficazes para seu desenvolvimento.


Especialistas e lideranças dos setores industrial, ambiental e acadêmico participaram de um debate virtual que lançou luz sobre este tema na semana passada, durante o webinar “Diálogos Amazônicos”. O encontro, moderado por Márcio Holland, Coordenador da Pós-Graduação Master da FGV EESP e Colunista do Broadcast/Agência Estado contou com as participações de Augusto Rocha, Coordenador da Comissão CIEAM de Logística e Competitividade, Michelle Aracaty, Professora da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e Presidente do CORECON – AM/RR (Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima) e Spartaco Astolfi Filho, Professor emérito da UFAM (Universidade Federal do Amazonas). No encontro, foram discutidos as oportunidades e os desafios da bioeconomia na Amazônia. Além disso, os especialistas destacaram a importância de políticas públicas integradas, infraestrutura adequada e valorização dos saberes tradicionais e caminhos para impulsionar um modelo de desenvolvimento sustentável na região.


Augusto Rocha enfatizou a necessidade urgente de superar os gargalos logísticos que impedem o pleno aproveitamento do potencial da bioeconomia da região. “Não se faz bioeconomia em larga escala sem logística, a falta de infraestrutura adequada compromete desde a produção até o escoamento dos insumos da floresta. Precisamos de soluções integradas, que respeitem a realidade amazônica e valorizem suas vocações produtivas”, afirmou.


Rocha também defendeu um pacto federativo realista e estratégico, que reconheça a singularidade da Amazônia. “A logística é a ponte entre a floresta em pé e o mercado nacional e internacional”. Segundo ele, a navegação fluvial continua sendo, em muitos casos, a única via de transporte viável. “Sem infraestrutura, não há como extrair valor sustentável da floresta nem garantir competitividade aos produtos da bioeconomia”.


Sobre o CIEAM

O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial com personalidade jurídica, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM).  Implementada pelo governo federal em 1967, com o objetivo de viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre todas as regiões do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional bem-sucedido que devolve aos cofres públicos mais da metade da riqueza que produz. Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). O estado do Amazonas tem 546 mil empregos, dos quais 130 mil são diretos do PIM e garantem a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. Encerrou 2024 com um faturamento de R$ 204 bilhões.

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Floresta Amazônica
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