CIEAM

Diálogos Amazônicos: o dilema que contrapõe riqueza natural e infraestrutura pobre



  • Painel reuniu Frederico Aguiar, superintendente-adjunto executivo da Suframa; Augusto César Rocha, professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), e Erick Moura de Medeiros, diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT



  • Debatedores discutiram a logística da região, um plano para a Amazônia, pavimentação da BR-319 e ações para seca no Amazonas


O dilema que contrapõe à exuberância natural da Amazônia a uma infraestrutura pobre e incapaz de garantir a logística e o escoamento da produção local esteve no centro das discussões de uma mesa redonda realizada dentro do projeto “Diálogos Amazônicos”, nesta terça-feira (6), em Brasília.


A conferência foi promovida pela Fundação Getulio Vargas, por meio da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP), com o apoio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).


Mediador do debate, Frederico Aguiar, superintendente-adjunto executivo da Suframa, afirmou que essa realidade causa graves vulnerabilidades socioeconômicas à região. Entre elas, a baixa competitividade, traduzida em dificuldades no fomento à produção, na atração de investimentos e no estímulo à exportação.


Para superar essa adversidade, o desafio, disse Aguiar, tem sido fazer de Manaus (AM), que concentra a logística do estado e da região, um centro articulador de rotas modais que partem do Peru e dos demais países amazônicos. 


O setor, aliás, está prestes a passar por uma profunda transformação. Em novembro, o Peru deve inaugurar o Porto de Chancay. Construída pela empresa chinesa Cosco Shipping, a obra deve se tornar uma das principais vias de intercâmbio comercial da América do Sul com o Pacífico. “Essas rotas de integração sul-americanas poderão trazer competitividade e mudar toda a logística de transporte da região”, disse o superintendente –adjunto da Suframa.


“Em razão disso, precisamos, por exemplo, estruturar o Porto de Tabatinga, que pode representar uma saída de boa parte do agro do Centro-Oeste brasileiro”, acrescentou Aguiar.


Plano para Amazônia


O professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM),


Augusto César Rocha, propôs a criação de um Plano da Amazônia para Logística e Transporte. “É o que nos falta para sairmos das ações emergenciais e pontuais, como ocorre no combate aos efeitos da estiagem, e integrarmos os sistemas já existentes e os órgãos dos estados e da região amazônica”, disse o professor. “Caso contrário, vamos, mais uma vez, trazer uma


empresa exógena, com técnicos de fora, que não entendem a realidade local e não vão transformar em política pública esse plano”, ressaltou.


BR-319


Sob os aplausos dos presentes, Rocha defendeu, ainda, a pavimentação do “trecho do meio” da BR-319, que liga as capitais Manaus (AM) e Porto Velho (RO). “A floresta vai sendo desmatada com ou sem BR-319. Há milhares de quilômetros de rodovias vicinais que desrespeitam completamente o meio ambiente. Ou a gente asfalta, coloca governança e os órgãos de controle ou ela vai sendo desmatada sem ninguém ver”, disse.


Segundo ele, há um movimento negacionista no impasse em torno da rodovia. “Há um problema ambiental terrível. Vamos ficar discutindo 400 quilômetros da rodovia e ninguém fiscaliza nada”, afirmou.


Seca no Amazonas


O diretor de Infraestrutura Aquaviária do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Erick Moura, detalhou as medidas já providenciadas para o combate à estiagem no Amazonas e nos demais estados do Norte. Entre elas, uma série de licitações de contratos, que permanecerão em vigor ao longo de cinco anos e vão garantir obras de dragagem e sinalização, assim como estudos hidrológicos dos rios amazônicos.


“Estamos trabalhando já na permanência de extremos climáticos. Ao contrário das chuvas e das enchentes, que ocorrem a olhos vistos, a estiagem é uma tragédia silenciosa”, afirmou o diretor.


Sobre os Diálogos Amazônicos


A série Diálogos Amazônicos tem o patrocínio do CIEAM (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), da Bic da Amazônia, da Coimpa Industrial, da Honda Componentes, da Copag da Amazônia, da MK Eletrodoméstico Mondial, da UBC da Amazônica, da Visteon da Amazônia, da Essilor da Amazônia SINAEES (Sindicato da Indústria de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Estado do Amazonas), da Jaime Benchimol, da Águas de Manaus, da Super Terminais, da Midea Carrier, da Abraciclo (Associação Brasileira de Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), da SIMMEM (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), da PCE Embalagens, da Placibrás da Amazônia, da FIEAM (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) e da Impram (Impressora Amazonense), gráfica e editora localizada em São Paulo que iniciou suas atividades no Polo Industrial de Manaus em maio de 2003.


 Sobre o CIEAM


O Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM) é uma entidade empresarial com personalidade jurídica, ligada ao setor industrial, que tem por objetivo atuar de maneira técnica e política em defesa de seus associados e dos princípios da economia baseada na Zona Franca de Manaus (ZFM).  Implementada pelo governo federal em 1967, com o objetivo de viabilizar uma base econômica no Amazonas e promover melhor integração produtiva e social entre todas as regiões do Brasil, a Zona Franca de Manaus é um modelo de desenvolvimento regional bem-sucedido que devolve aos cofres públicos mais da metade da riqueza que produz. Atualmente, são 600 empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM), que geram mais de 500 mil empregos, diretos e indiretos, e garantem a preservação de 97% da cobertura florestal do Amazonas. Em 2023, movimentou mais de 172,6 bilhões.

Fotos

Evento 75
Evento 75
Diálagos Amazônicos  77
Diálagos Amazônicos 77
Diálogos Amazônicos  86
Diálogos Amazônicos 86

Mais recentes